segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

E onde estão nossos adolescentes rebeldes e irritantes ? Deram lugar à geração playboy ?

Eles páram seus carros nas esquinas, ou nos postos de gasolina,
e colocam seus poderosos subwoofers à serviço de músicas industrializadas por efeitos de sintetizadores , cruzam os braços , o que contrai os músculos e esteticamente os faz parecer mais fortes, e aguardam encostados em seus carros, geralmente rebaixados e cheios de tunning.

Achegam-se a seus amigos, já com todas as mentiras que contribuirão para sua imagem pessoal, se contadas, planejadas para serem ditas numa roda de autodenominados amigos, os quais reagirão a essa mentira com mentiras ainda maiores.
Conversam por um bom tempo, seguindo uma sequência nada difícil de prever, como quantas mulheres pegaram na última vez, quantos travestis eles acertaram com o tapete do carro enrolado enquanto passavam de carro. Ou obviamente os assuntos de lei, exercícios na academia, que podem derivar para tipos de anabolizantes, e acessórios de carro, que pode derivar para funcionamento mecânico do veículo, assuntos tidos por eles como obrigatórios e identificadores da sua heterossexualidade. Por falar nisso, precisam ser homófobos em potencial. Há uma série de coisas que não fariam com medo de serem confundidos com homossexuais, e quanto a esses, sempre os hostiliza, para que a diferença que acreditam existir seja mais fortemente demarcada.
Despedem-se de seus amigos contando mais mentiras, supostamente a serem realizadas tão logo sáiam dali, antevendo que isso melhorará sua imagem social perante eles na próxima vez que se encontrarem.
Ao longo de suas histórias, além de constantemente se enganarem e sempre procurarem num baú de respostas prontas aquelas que melhor se adaptem às perguntas que lhe são feitas, não têm geralmente a alegria de serem eles mesmos, mas precisam encarnar diferentes personagens de suas próprias criações. Conviverão, portanto, com a eterna dúvida " Os que gostam de mim , gostam de mim , ou de meus personagens? "
Seus laços de amizade em geral são mais fracos, porque não se basearam em confiança, mas em oportunismo, como uma simbiose social. Uma garota linda seria suficiente motivo para disputa interna e deterioração desses laços.
Lealdade !? Quantos deles sabem ou sentiram isso ?? Agir por honra, lutar por ideais, seguir guiado por aquilo que acha certo...

De onde saem os namoros quebrados por traição, as amizades que se sustentam até que se abra a temporada de caça às mulheres, aos objetivos egocêntricos de carreira ?!! Das histórias pessoas daqueles que nunca souberam o que é lealdade ... que nunca sentiram que suas ações podem moldar sua própria honra , e sua honra constrói quem você é.

De quem falo nesse texto? Da maioria de nossa juventude .
Cansei de ver jovens acomodados nas salas de aula do meu ensino médio e fundamental, contentes por não chamarem atenção dos professores, mesmo que não concordassem com muitas coisas. Haviam os testa-de-ferro, como eu e meus saudosos amigos, que faziam isso por eles. Mas nunca sentirão a satisfação de brincar de mártir, e ver que o mundo a sua volta pode ser mudado por suas ações.
Uma geração anterior reuniu-se para tirar Fernando Collor de Melo da presidência.
O que há com nossos jovens? Talvez eles repitam demais o que os pensadores do passado pensaram, e não seja instigados a pensar por si próprio. Seria isso, caros educadores? Ou a geração da alta tecnologia está mesmo fadada a escrever um capítulo humilhante da história da juventude.

Eu, particularmente, não quero fazer parte disso.
Que me chamem de velho então ;-)

De novo, o fim do Mundo.




A história se repete, dizia meu professor de história ainda no ensino médio. " Se você estudar as coisas que aconteceram, vai ver que as mesmas coisas acontecem agora, por mais que pareçam diferentes", ele dizia, enquanto a maioria de nós não dava muita importância porque estávamos mais preocupados pensando em mulheres e piadas para fazer na sala de aula. Mas a informação entrava a nível subliminar.

E basta invertemos a afirmação para entender qual a importância dela. O que acontece agora, já aconteceu antes, sempre aconteceu. Mas parece que diante do medo de acontecer agora, por que isso nos afetaria, esquecemos que nossos antepassados também passaram por isso e tiveram os mesmos medos.

Terça-feira passada, Porto Príncipe, a capital do Haiti, foi devastada por um terremoto de magnitude 7 na escala Richter. E isso é grande, um cientista de uma universidade britânica diz que a potência foi 35 maior que a produzida pela bomba de Hiroshima.

As construções fracas do país mais pobre de todo o Ocidente fizeram com que tudo virasse um inferno, um caos. As cenas que cada pessoa vivencia, enquanto foge pela vida, e vê outras pessoas morrerem, criam uma impressão apocalíptica.

Nós vivemos sob a influência da tradição cristã, onde se acredita que haverá um apocalipse com cenários extremamente parecidos ao que os haitianos viram nessa terça-feira. A onde de histeria coletiva que se segue momentos depois é abastecida pelas crenças religiosas, que ao mesmo tempo que confortam virtualmente até que o socorro de fato chegue, desesperam elas mesmas as pessoas que nela acreditam.

É um mecanismo de retroalimentação. No Youtube é possível ver inúmeros vídeos de gravações amadoras e reportagens que pegam cenas nas ruas, onde pessoas clamam ser o fim do mundo ou clamam pela salvação das entidades em que acreditam. Gritam os cristãos, gritam os adeptos do vodu, gritam todos por aqueles ou aquilo que acreditam que poderia salvá-los.

Nos comentários desses mesmos vídeos, uma enxurrada de citações bíblicas onde dizem que o fim do mundo está perto.

De novo.



Ele está perto desde que o primeiro ser humano imaginou que haveria um fim do mundo. A forma como o mundo ia acabar foi mudando ao longo da história, mas a cada grande tragédia, os profetas-amadores clamam o fim do mundo novamente. E cá estamos nós, vivos, acompanhando e nos compadecendo dos haitianos.

Acredito eu que de longe não temos muito o que fazer, além de doações e torcer para que as coisas melhorem por lá, por mais que a torcida já seja em si um comportamento supersiticioso, tanto quanto as milhares de missas e orações feitas pelo povo haitiano. Mas ao menos são pensamentos positivos.

Anunciar o fim do mundo a cada tragédia que se segue, além de infantil e repetitivo, não ajuda em absolutamente nada quem precisa ser ajudado. Chega a ser de um oportunismo religioso indecente.

A mesma fonte que compara o terremoto à bomba de Hiroshima, o geólogo Roger Searle, anuncia que terremotos dessa magnetude ocorrem cerca de 50 vezes a cada ano. 50 vezes !!!!

Mas na maioria das vezes em que ocorre, não são percebidos por estarem em áreas que não são muito populosas, ou em áreas já preparadas como o Japão e a Califórnia. É graças aos estudos científicos e racionais, e não às crendices religiosas, que sabemos que os terremotos não são a vingança de um deus furioso, nem uma cobra gigante que mexe sua cauda debaixo da terra, mas as ondas do choque entre as placas tectônicas de nosso planeta na maioria dos casos. Onde existem as falhas geológicas dessas placas, existe maior propensão dos terremotos ocorrerem. Existe uma próxima de Porto Príncipe, tanto que o epicentro se deu a 15 km da cidade.

Tal tragédia ocorreu por que Deus está anunciando o fim ? Não, ocorreu que porque uma área densamente populosa e que não possui tecnologia para se defender dos abalos sísmicos se encontra perto de uma área instável. Aliás, quando o mundo começou a ser habitado em várias partes, nem se sonhava com o que fosse placas tectônicas. Ainda se tinha em mente o pensamento mágico e provavelmente se atribuia os tremores a divindades.

Mas, afinal, porque agora é o fim ? Porque devemos acreditar dessa vez, depois de dezenas de tragédias já ocorridas no mundo, e sempre era o fim ?

Desde que o mundo é mundo, já levamos meteoro na fuça, houveram extinções em massa, houveram Eras Glaciais e aquecimentos globais, terremotos, vulcões, os continentes mudaram de lugar, inundações, tsunamis e tudo isso antes de existirmos. Se o fim está próximo quando tudo isso começar a ocorrer, então o fim está próximo desde antes de, supostamente, João ter escrito qualquer linha do Apocalipse bíblico ou de qualquer homo sapiens ter imaginado seu próprio fim do mundo.

Haverão guerras e rumores de guerras ? Ora, desde que o primeiro exército resolveu enfrentar outro, existiam guerras e rumores de guerras. O próprio império romano protagonizou enormes batalhas, e sempre houveram rumores, acordos instáveis de paz, conflitos, conspirações. Me diga em qual momento estivemos mais tranquilos sem que esses fatores não existissem.

Não houve tal momento. Mas se há um momento em que menos guerras ocorrerem em nossa história, surpreendentemente e contrário à descrição bíblia, esse momento é justamente o atual, segundo pesquisa da Universidade Colúmbia Britânica. Estamos em um período em que obviamente existem guerras e conflitos, mas comparativamente seu número vem diminuindo.

Estamos às portas de um aquecimento global ? Ora, já ocorreu antes no planeta. Como Eras Glaciais também. A temperatura da Terra não foi exatamente a mesma sempre, e muda por diversas causas. Dessa vez, temos participação nisso, segundo a maioria dos cientistas.

Doenças, epidemias ? Já tivemos inúmeras. Já tivemos a Peste Negra, a Cólera, a Tuberculose, a Varíola, a Gripe Espanhola, e o advento da Aids. Agora temos as variantes do vírus da gripe nos alarmando. Mas porque antes não foi o fim e agora é?

Acaso aqueles povos também não clamavam o fim e o retorno do Todo Poderoso quando passavam por esses problemas ? E nada dele voltar, deve ter se perdido no caminho.

A questão é que a impressão que temos de que as coisas estão ficando piores a cada dia se dá pelo poder da própria tecnologia que temos, como as comunicações e a imprensa, o que nos força ter mais contato com todos os eventos mundiais ao mesmo tempo. Tudo isso já existia antes, mas não sabíamos que estava acontecendo. Agora, como no filme do Sexto Sentido, começamos a perceber o que não percebíamos e estamos ficando assustados, e agindo como autênticas crianças que esperam o retorno dos pais para salvá-las do perigo iminente. Só que adultos que somos, alguns de nós clamam por seu Deus, a mesma versão mágica que pequeninos tínhamos de nossos pais.

O velho Freud já tinha sacado isso há muito tempo.

Não estamos perto ou longe do fim. Simplesmente não sabemos se vai haver e se vai quando será. Pode ser o fim apenas de nossa espécie. Que mania de grandeza a nossa querer levar a estrutura do planeta junto conosco no grande fim. Típico do ser humano. Ou pode ser que não.

Apenas espero que os adeptos e entusiastas dos "dias finais", pensem um pouco antes de sair "profetizando".

E, claro, minha simpatia ao povo haitiano, e que aos poucos as coisas possam ir se estabilizando por lá.

Klaytinho.



Em Breve : Tragédias como o modo de Deus ensinar a humanidade.





Fontes:

Terremoto no Haiti 35 vezes mais potente que bomba de Hiroshima

Existem menos guerras atualmente

Sobre Aquecimento Global